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Vai fazer um ano que o Presidente da Associação
de Futebol de Santarém disse:
” Quem quiser perceber, que perceba. Quem não
quiser, que assuma as consequências de não bater
com a porta a uma situação insustentável para os
clubes.
É chegado o momento de acabar com
a 3.ª divisão”.
As palavras de Rui Manhoso, no que dizia
respeito à 3.ª divisão, quase desafiavam os
clubes a tomarem uma decisão que antecipava a
medida vinda da Federação, sempre mais morosa.
Eu na altura Secretário-geral do Amora Futebol
Clube concordei plenamente, apoiei e defendi
sempre na Associação de Futebol de Setúbal, pois
com o actual panorama competitivo e no quadro
organizativo do futebol, o Amora FC, tal como a
maioria dos clubes portugueses, não pode, pura e
simplesmente, estar na 3.ª Divisão, um escalão
que não serve ninguém e que está a contribuir
para a falência acelerada de muitos emblemas.
Finalmente chegou o momento de acabar com a 3.ª
divisão.
Vejo jogos do Amora há 40 anos,
sou sócio ao mesmo tempo, conheço bem a história
do clube e as atribulações, êxitos e insucessos
por que passou durante as já longas décadas da
sua existência. É claro que gostava que o Amora
FC ocupasse um lugar diferente no panorama do
futebol nacional, que pudesse ir um pouco mais
além, até em consonância com o seu passado e o
seu enorme palmarés.
Uma coisa, no entanto, são os
desejos, que emergem do sentimento e do coração,
outra coisa é a realidade, nua e crua. E nada
vale remar contra a realidade.
Passo a explicar:
A realidade é que, no actual
panorama competitivo e no presente quadro
organizativo do futebol, o Amora Futebol Clube,
tal como a maioria dos clubes portugueses, não
pode, pura e simplesmente, estar na 3ª divisão,
um escalão que não serve ninguém e que está a
contribuir para a falência acelerada de muitos
emblemas, de resto como a chamada segunda
divisão nacional. Muitos adeptos e sócios do
Amora FC desconhecem que num jogo em casa, só
para abrir a porta, o clube paga uma taxa fixa
de 545 euros à FPF e tem despesas de polícia de
190 euros. Em dinheiro ”português”, um jogo em
casa tem encargos fixos de 160 contos, fora
outros detalhes. As receitas de bilheteira, que
dantes eram um suplemento financeiro dos clubes,
não chegam hoje para as despesas, nem lá perto.
A título de exemplo, nos dois primeiros jogos em
casa, Amora Futebol Clube averbou um prejuízo de
mais de 100 contos (500 euros).
As deslocações, por seu turno,
são morosas e caras: Algarve (8 vezes) … um rol
de saídas sem nexo, numa geografia impensável
para este escalão. A maioria desses clubes
algarvios não trouxeram um único espectador a
Amora e não suscitam aos amorenses um mínimo de
interesse ou curiosidade para ver jogar essas
equipas quando nos visitam. Será possível viver
assim? Não!
Em termos financeiros, a terceira
divisão é uma catástrofe. Em termos
competitivos, não tem qualquer interesse.
Encontram-se as mesmas equipas 4 vezes na época
desportiva, a Federação enche os cofres e a 3ª
Divisão fica condenada a prazo, mais curto se
for por decisão federativa, mais demorado se
forem os clubes a esvaziarem gradualmente uma
divisão que os destrói.
O Amora Futebol Clube baixou esta
época ao Distrital, coisa que não acontecia a 40
anos, desde da já longevidade época 1968/1969.
Encargos muito mais pequenos, despesas menores
nas deslocações, mais receitas de bilheteira,
jogos mais interessantes com as equipas que nos
dizem qualquer coisa. Percebe-se, no entanto,
que foi uma enorme tristeza para os amorenses
terem descido aos distritais mas, o populismo e
a demagogia são mais fáceis de impor do que a
razão.
A Federação parece que acordou
agora e quer acabar com a terceira divisão e
Reformular os Quadros Competitivos ao que parece
com a maioria esmagadora das associações
distritais a acompanha-la, com a oposição,
segundo consta, da AF do Porto. Trata-se de um
escalão condenado a prazo. Finalmente chegou o
momento.
Paulo Carolino
12.01.08 |