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Assembleia
Geral do Amora FC: Equívoco colectivo e fatal ???
Assistiu-se
ontem a uma Ass.Geral do Amora FC que decorreu em clima de alguma
tensão, como era de esperar. A reunião magna foi marcada de
forma extraordinária, após a falta de comparência que os
atletas séniores fizeram ao jogo do passado dia 14 e decorreu no
pavilhão anexo ao Campo da Medideira, um facto notado por muitos,
pois este local esteve fechado muitos anos e foi ali mesmo que o
anterior presidente Mário Rui foi destituido, apenas uma
curiosidade que muitos comentavam no local.
A
noite, fria no tempo e quente no ambiente, prolongou-se por 2
horas e 50 minutos e a primeira hora e vinte foi "pacífica",
com diversos esclarecimentos, leitura de acta anterior e depois
chegou o tempo do presidente José Mendes apresentar o primeiro
momento da noite, ao apresentar ali mesmo a demissão se surgisse
alguém que pagasse os meses de atraso aos atletas e também ali
ficasse assumido (não pago) o valor da dívida do Amora para com
a sua pessoa. Entre palmas e comentários menos abonatórios o
clima instalado detriorou-se, com as intervenções que se
seguiram a versarem todas o mesmo teor, a necessidade do
presidente abandonar o clube por não ter condições, a resposta
que todos tiveram baseou-se no documento escrito entregue à mesa
em que o presidente José Mendes indicava as condições para
demissão.
A
chamada "oposição" estava claramente presente mas
perante esta situação e mostrando uma notória falta de sentido
ou de organização para um timing destes perdeu-se em
requerimentos escritos de validade jurídica duvidosa e foi-se
deixando levar pela irritação e pelo clima de falta absoluta de
soluções que existiu naquela sala. O comando dos trabalhos
passou pelas mãos de dois membros da Assembleia Geral, o
presidente Manuel Matias que tentou controlar o melhor que pôde
os trabalhos, mas que a espaços perdeu a paciência com a sala,
tal era a confusão, os atropelos e a troca de argumentos cruzados
entre sócios e o secretário, Dr.Patrick que foi o único a
manter uma calma rigorosa e tão fria quanto a sala, leu vezes sem
conta procedimentos jurídicos de como tornar a Assembleia válida
e não impugnável e a todos conseguiu dar resposta sem perder a
calma, uma intervenção de notar e agradecer.
No
meio de tanta confusão, troca de argumentos, constantes
requerimentos à mesa e argumentos para todos os gostos, o ponto
de ordem acabou por ser feito pelos atletas presentes, que pela
voz do guardião Paulo Silva e do técnico adjunto Paiva
explicaram de forma curta, directa e concisa o que estão a
passar, lembraram as promessas sem cumprimento do actual
presidente, a quem apontaram a dedo de forma incisiva e de certo
modo foram eles que levaram ao fecho da assembleia, pois deixaram
bem claro que se não fossem pagos 2 meses de salários (cerca de
24 mil euros) até ao próximo domingo, antes do jogo em casa com
o Almancilense, não entrariam em campo, o que, a acontecer faria
com que o Amora ficasse suspenso e muito provavelmente condenado
à descida de divisão, com impedimento de 2 anos de participar
nos nacionais. Este foi o momento que levantou os atletas para
fora da sala e, de certo modo atrás dos jogadores, saiu a
esmagadora maioria dos sócios e aparentemente a assembleia
terminou.
No
calor da discussão tentaram-se reunir fundos no local, mas nunca
se ultrapassou os 3 mil euros, tentaram-se fazer apelos aos
jogadores, ao presidente, discutiu-se a parcialidade na condução
dos trabalhos por parte do presidente da Mesa da Assembleia Geral
e descutiu-se e muito, a total incapacidade de arranjar soluções
por parte do presidente José Mendes, algo que o próprio admitiu.
No calor da discussão houve ainda tempo para os habituais
insultos que são sempre de evitar, o presidente informou a mesa
que procederia judicialmente contra um sócio por afirmações
proferidas no local e entre 120 opiniões diferentes foi
absolutamente impossível encontrar uma solução. Discutiu-se a
legitimidade de todos os presentes votarem, pois não há um
sistema de quotas credível e muito menos tem sido possível pagá-las
em condições e saber quem estava em dia, tentou-se igualmente
apresentar uma moção para ser votada em que se destituía a
direcção, mas a Mesa da Assembleia, ao contrário do que
aparentemente -segundo afirmaram muitos dos presentes- terá
acontecido no acto eleitoral de há dois anos, levou tudo ao rigor
da lei e dos estatutos e ao que ficou subentendido será marcado,
como manda a lei, um novo acto para daqui a 10 dias para ser
votada a destituição e nomeada uma comissão administrativa até
novas eleições.
No
meio de tudo isto o ainda presidente José Mendes escutou mais do
que falou, visívelmente desgastado e, aparentemente, sem soluções
foi ainda interrompido continuamente por sócios mais exaltados e
foi incapaz de mostrar soluções. Nota-se claramente uma total e
aparentemente irreconciliável falta de confiança entre o plantel
e o presidente, o que põe claramente em causa o jogo de domingo.
José Mendes apresentou a sua demissão, com condições, algo que
foi visto por muitos como a forma de "engatar a reunião",
segundo as palavras dos presentes, não foi sensível aos apelos
do secretário da mesa da Assembleia Geral, Dr.Patrick para que se
demitisse para evitar mais cenas como a de ontem, mas esteve
sempre disponível, no seu jeito voluntarioso para tentar
responder a tudo, informando por várias vezes que o futuro do
Amora se encontrava num dossier com documentos por ele mostrado
para representar o que passaria a quem pegasse no clube assim que
fossem cumpridas as suas duas condições.
No
fim de tudo, é minha opinião, que a assembleia geral de ontem
foi um equívoco colectivo, a começar pela ordem de trabalhos que
não deu sentido às reais necessidades do clube, pois como se viu
o ponto 2 foi absolutamente secundarizado tendo-se passado da
leitura da acta para o "tema" José Mendes/demissão.
Depois o equívoco continuou com a incapacidade da Mesa da
Assembleia Geral gerir a reunião, as condições não o
permitiram, as pessoas não ajudaram e o espaço é péssimo para
reuniões deste género, depois houve ainda a duplicidade de critérios,
primeiro o presidente Manuel Matias admitiu que não poderia
controlar o ponto de situação de quotas de todos os presentes e
que todos poderiam votar, mas perante os argumentos jurídicos do
seu secretário, Dr.Patrick, e de alguns dos presentes, já se
colocava em causa esta opinião. Outro, aparente, equívoco foi a
chamada "oposição", seja lá o que isso seja pois no
final são sócios do clube, que não estaria tão preparada para
uma situação como a de ontem, entre requerimentos apresentados e
retirados não se conseguiu perceber um rumo traçado e no fim
isso foi mais uma falta de solução em si mesmo, pelo menos
naquele momento.
Entre
tudo isto fica a certeza dos ateltas não entrarem em campo sem
que lhes sejam pagos 2 dos 4 meses em atraso (será que poderão
ou quererão jogar os júniores ??), fica a minha dúvida se ficou
votada a marcação de uma Assembleia Geral Extraordinária para
daqui a 10 dias para votar a demissão da direcção e nomear uma
comissão administratriva e fica acima de tudo a dúvida sobre o
que irá gerir essa eventual coimissão, caso este domingo o
Almancilense e a equipa de arbitragem forem os únicos a entrar em
campo.... se assim for irá gerir as dívidas que caem
diariamente, a luz que será novamente cortada mais dia menos e
algumas receitas de quotas que surgem sempre. Quanto a
desporto..... se os atletas ou os júniores entrarem em campo o
Amora ganha um novo emplastro para mais 7 dias, se tal não
acontecer o Amora deixa de competir (convém lembrar que os
atletas também deixam de jogar este ano e as inscrições fecham
já por estes dias, pelo que ficarão parados o resto da época) e
para o ano teremos, aparentemente, como única possibilidade jogar
derbies regionais e locais... contra o Zambujamente, o Lagameças
e o Botafogo, entre outros clubes da 2ªdivisão regional de Setúbal.
Teremos todos assistido, sem soluções, a um dos momentos mais
sem cor da história do nosso clube ? Temo que sim, veremos o que
nos reserva domingo.
Nelson
Filipe Patriarca - Associado 237
/O
texto acima reflecte tão somente a visão e a opinião pessoal de
como correu o acto social a que se refere.
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